O motivo mais indicado pelos soteropolitanos para não usar métodos contraceptivos foi “não estragar a diversão” (24%), seguido da ausência de algum método no momento (13%). Esses preocupantes dados levam à discussão sobre gravidez indesejada e a importância da educação sexual. De acordo com pesquisa publicada em 2016 pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), entre as mulheres que tiveram filhos no Brasil, 55,4% não planejaram a gestação. Para a educadora sexual Laura Muller, a educação sexual é fundamental e deve ser inserida antes mesmo da pré-adolescência, respeitando cada fase do desenvolvimento. “O papel dos pais é tão importante quanto o papel das escolas”, avaliou a educadora. “É preciso falar principalmente de quatro eixos: gravidez fora de hora, doenças sexualmente transmissíveis, a prática do sexo em si e a diversidade sexual”, orientou. No entanto, os pais e a escola não são as fontes da maioria dos homens quando o assunto é sexo. Segundo dados da pesquisa, 23% dos soteropolitanos aprenderam o que sabem sobre o tema na internet e 19% com amigos. “O problema da internet é a fonte”, ponderou o ginecologista e mastologista da Unifesp Afonso Nazário, durante apresentação dos dados. Quando surgem dúvidas, a internet é a grande professora: 69% dos homens recorrem a esse meio. Em Salvador, uma informação específica chama atenção em comparação aos dados nacionais. A primeira experiência sexual de 22% dos homens da capital baiana aconteceu antes dos 13 anos, contra 10% no total dos dados nacionais. Essa é mais uma prova de que é necessário que os pais tomem a responsabilidade para si, como afirmou Laura. “Os pais terem uma atitude de busca de informação e o campo aberto para o diálogo já é um grande caminho”, afirmou.