O ato, feito pela organização não governamental (ONG) Rio de Paz, marca os 15 anos do assassinato de Tim, aos 51 anos, no dia 2 de junho de 2002, na Vila Cruzeiro, na Penha, zona norte da cidade, quando fazia reportagem sobre a exploração sexual de adolescentes em bailes funk promovidos por traficantes da região.
O presidente da ONG, Antônio Carlos Costa, disse que a homenagem foi estendida a outros jornalistas mortos nos últimos anos, para expor a violência contra a imprensa e a violação do direito de informar e ser informado.
“São dados assustadores, que mostram o quanto esses profissionais são necessários. Sem eles, não haveria democracia, uma vez que ela depende de cidadãos bem informados. O trabalho do jornalista consiste em desconstruir inverdades que, muitas vezes, são disseminadas pelos detentores do poder econômico, do poder político”, disse Costa, que agradeceu o trabalho da imprensa.
“Do ponto de vista dos movimentos sociais, são os jornalistas que nos pautam, que apresentam a matéria-prima das nossas manifestações. Quando vamos para as ruas protestar, são eles que dão visibilidade ao nosso ato público, aos nossos protestos. A manifestação de hoje é um agradecimento aos jornalistas brasileiros.”
De acordo com dados da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), de 2013 a 2016, ocorreram 300 casos de agressões a jornalistas durante a cobertura de manifestações, por parte das forças de segurança e dos manifestantes. De acordo com a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), o número de agressões vem aumentando a cada ano. A ONG Repórteres sem Fronteiras colocou o Brasil em 103º lugar no ranking de liberdade de expressão, o segundo país mais perigoso para profissionais de imprensa na América Latina depois do México.
Homenagem
Por volta de 10h30, familiares de Tim Lopes e de profissionais de imprensa fizeram uma pausa de 5 minutos em sua homenagem, colocando os instrumentos de trabalho em frente aos cartazes. Ao final, todos abraçaram a foto do jornalista.