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Está certo que amor de mãe não tem preço, mas o trabalho que
essas mulheres exercem para garantir que esse sentimento todo se
transforme em “filhos bem criados” e uma casa aconchegante pode, sim,
ser dimensionado – como propôs o site internacional de finanças
Salary.com. E vamos logo avisando: sairia bem caro se resolvessem
remunerá-las pelos serviços prestados. Acordar as 7 da manhã com o
chamado da caçula, providenciar logo mamadeira e lanchinhos, atentar
para o relógio, pois às 12 em ponto todas devem estar prontas. Enquanto
isso, assegurar-se que ninguém vai entrar na cozinha – pois o almoço
está sendo preparado –, e que o laço escolhido no dia anterior estará
enfeitando o cabelo de Luana. Até aí, foram cinco horas do dia de Eunice
Lima, 42 anos, mãe em tempo integral de Luã Matheus, 13 anos; Luana, 5,
e Lara Victória, 3. E, para ser mais fiel à rotina, seria preciso citar
o banho das meninas, a arrumação das lancheiras, o escovar os dentes e
uma pausa para cuidar de si mesma. “Acordo, tomo banho e já visto a
parte de baixo da roupa que vou usar, ou não dá tempo”, ela relata.
Quando
Luana tinha 1 ano, Nice descobriu que – mesmo após cirurgia para não
engravidar (ligadura de trompas) – estava à espera de Lara. Depois veio a
notícia de que a caçula teria que passar por uma série de cirurgias
para corrigir uma abertura na região dos lábios (fissura labiopalatal).
“Meu projeto de vida, nessa época, estava feito, mas teve que ficar um
pouco esquecido, porque a família precisou de mais cuidado, carinho
materno mesmo”.
Valorização - O artigo Trabalho
Reprodutivo no Brasil, das pesquisadoras Hildete Melo e Marta Castilho,
aponta que a inclusão dos afazeres domésticos no PIB do brasileiro
significaria, aproximadamente, 10% a mais no valor total. "O fato de ser
um trabalho não pago não quer dizer que não contribua para a produção
de riquezas do País. A vida cotidiana de todos depende dessa
infraestrutura dada pela dinâmica da família e da casa”, explica a
subsecretária de Política para as Mulheres da Presidência, Tatau
Godinho.
No caso de Nice, somado às atividades da manhã, ainda
precisaria ser contado o trabalho como motorista particular: pelo menos
três viagens por dia, isso quando não há consultas médicas. Só aí, a
economia é de R$ 1.244, salário de um motorista particular, segundo
tabela do Sindicato dos Trabalhadores Domésticos da Bahia. Lembrando que
os passeios aos domingos não estão inclusos.
Além disso, Nice
exerce por meio período as atividades de uma creche. A mensalidade de
uma instituição como esta na capital baiana pode custar até R$ 786. Mas
nem adianta somar os valores, tudo é feito por devoção. “Acho que Deus
me escolheu para ser mãe”, costuma dizer.
Agora, Nice diz ter a
sensação de dever “semicumprido” e prepara-se para voltar ao mercado de
trabalho. “Quero me especializar como professora e estou estudando para
concurso”, adianta.
Horas semanais
As donas de casa, em
geral, dedicam mais de 20 horas semanais aos trabalhos domésticos, sendo
que 27% delas exercem essa função por, pelo menos, 41 horas semanais,
de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD-2009).
No total, 27 milhões de mulheres em idade ativa “não estavam
com ocupação no mercado de trabalho nem em busca de um emprego, e
realizavam tarefas domésticas” – ou seja: eram donas de casa. Isso
representa 36,48% das mulheres do País com mais de 16 anos.
Pesquisa
do Dieese com donas de casa sem inserção profissional, em Salvador e
São Paulo, apontou que elas se sentem discriminadas. E que, muitas
vezes, o trabalho doméstico é desvalorizado até pela própria família.
Então, se ainda não escolheu o presente da sua mãe, lembre: domingo, hoje em especial, é um bom dia para uma folga.